BEBIDAS ALCOÓLICAS
Álcool Etílico: Etanol
Fermentados (vinho, cerveja)
Destilados (pinga, uísque, vodca)
Aspectos históricos
Registros arqueológicos revelam que os primeiros indícios sobre o consumo de álcool pelo ser humano datam de aproximadamente 6000 a.C., sendo, portanto, um costume extremamente antigo e que tem persistido por milhares de anos. A noção de álcool como uma substância divina, por exemplo, pode ser encontrada em inúmeros exemplos na mitologia, sendo talvez um dos fatores responsáveis pela manutenção
do hábito de beber, ao longo do tempo. Inicialmente, as bebidas tinham conteúdo alcoólico relativamente baixo, como, por exemplo, o vinho e a cerveja, já que dependiam exclusivamente do processo de fermentação. Com o advento do processo de destilação, introduzido na Europa pelos árabes na Idade Média, surgiram novos tipos de bebidas alcoólicas, que passaram a ser utilizadas em sua forma destilada. Nessa época, esse tipo de bebida passou a ser considerado um remédio para todas as doenças, pois “dissipavam as preocupações mais rapidamente que o vinho e a cerveja, além de produzirem um alívio mais eficiente da dor”, surgindo, então, a palavra uísque (do gálico usquebaugh, que significa “água da vida”).
A partir da Revolução Industrial, registrou-se grande aumento na oferta desse tipo de bebida, contribuindo para um maior consumo e, conseqüentemente, gerando aumento no número de pessoas que passaram a apresentar algum tipo de problema decorrente do uso excessivo de álcool.
Aspectos gerais
Apesar do desconhecimento por parte da maioria das pessoas, o álcool também é considerado uma droga psicotrópica, pois atua no sistema nervoso central, provocando mudança no comportamento de quem o consome, além de ter potencial para desenvolver dependência.
O álcool é uma das poucas drogas psicotrópicas que tem seu consumo admitido e até incentivado pela sociedade. Esse é um dos motivos pelos quais ele é encarado de forma diferenciada, quando comparado com as demais drogas.
Apesar de sua ampla aceitação social, o consumo de bebidas alcoólicas, quando excessivo, passa a ser um problema. Além dos inúmeros acidentes de trânsito e da violência associada a episódios de embriaguez, o consumo de álcool a longo prazo, dependendo da dose, freqüência e circunstâncias, pode provocar um quadro de dependência conhecido como alcoolismo. Dessa forma, o consumo inadequado do álcool é um importante problema de saúde pública, especialmente nas sociedades ocidentais, acarretando altos custos para a sociedade e envolvendo questões médicas, psicológicas, profissionais e familiares.
Efeitos agudos
A ingestão de álcool provoca diversos efeitos, que aparecem em duas fases distintas: uma estimulante e outra depressora.
Nos primeiros momentos após a ingestão de álcool, podem aparecer os efeitos estimulantes, como euforia, desinibição e loquacidade (maior facilidade para falar).
Com o passar do tempo, começam a surgir os efeitos depressores, como falta de coordenação motora, descontrole e sono. Quando o consumo é muito exagerado, o efeito depressor fica exacerbado, podendo até mesmo provocar o estado de coma.
Os efeitos do álcool variam de intensidade de acordo com as características pessoais.
Por exemplo, uma pessoa acostumada a consumir bebidas alcoólicas sentirá os efeitos do álcool com menor intensidade, quando comparada com outra que não está acostumada a beber. Um outro exemplo está relacionado à estrutura física: a pessoa com estrutura física de grande porte terá maior resistência aos efeitos do álcool.
O consumo de bebidas alcoólicas também pode desencadear alguns efeitos desagradáveis, como enrubecimento da face, dor de cabeça e mal-estar geral. Esses efeitos são mais intensos para algumas pessoas cujo organismo tem dificuldade de metabolizar o álcool. Os orientais, em geral, têm maior probabilidade de sentir esses efeitos.
Álcool e trânsito
A ingestão de álcool, mesmo em pequenas quantidades, diminui a coordenação motora e os reflexos, comprometendo a capacidade de dirigir veículos ou operar outras máquinas. Pesquisas revelam que grande parte dos acidentes é provocada por motoristas que haviam bebido antes de dirigir. Nesse sentido, segundo a legislação brasileira (Código Nacional de Trânsito, que passou a vigorar em janeiro de 1998), deverá ser penalizado todo motorista que apresentar mais de 0,6g de álcool por litro de sangue. A quantidade de álcool necessária para atingir essa concentração no sangue é equivalente a beber cerca de 600ml de cerveja (duas latas de cerveja ou três copos de chope), 200ml de vinho (duas taças) ou 80ml de destilados (duas doses).
Alcoolismo
Como já citado neste texto, a pessoa que consome bebidas alcoólicas de forma excessiva, ao longo do tempo, pode desenvolver dependência, condição conhecida como alcoolismo. Os fatores que podem levar ao alcoolismo são variados, envolvendo aspectos de origem biológica, psicológica e sociocultural. A dependência do álcool é condição freqüente, atingindo cerca de 10% da população adulta brasileira.
A transição do beber moderado ao beber problemático ocorre de forma lenta, tendo uma interface que, em geral, leva vários anos. Alguns sinais da dependência do álcool são: desenvolvimento da tolerância, ou seja, a necessidade de beber maiores quantidades de álcool para obter os mesmos efeitos; aumento da importância do álcool na vida da pessoa; percepção do “grande desejo” de beber e da falta de controle em relação a quando parar; síndrome de abstinência (aparecimento de sintomas desagradáveis após ter ficado algumas horas sem beber) e aumento da ingestão de álcool para aliviar essa síndrome.
A síndrome de abstinência do álcool é um quadro que aparece pela redução ou parada brusca da ingestão de bebidas alcoólicas, após um período de consumo crônico. A síndrome tem início 6 a 8 horas após a parada da ingestão de álcool, sendo caracterizada por tremor das mãos, acompanhado de distúrbios gastrintestinais, distúrbios do sono e estado de inquietação geral (abstinência leve). Cerca de 5% dos que entram em abstinência leve evoluem para a síndrome de abstinência grave ou delirium tremens que, além da acentuação dos sinais e sintomas anteriormente referidos, se caracteriza por tremores generalizados, agitação intensa e desorientação no tempo e no espaço.
Efeitos sobre outras partes do corpo
Os indivíduos dependentes do álcool podem desenvolver várias doenças. As mais freqüentes são as relacionadas ao fígado (esteatose hepática, hepatite alcoólica e cirrose). Também são freqüentes problemas do aparelho digestivo (gastrite, síndrome de má absorção e pancreatite) e do sistema cardiovascular (hipertensão e problemas cardíacos). Há, ainda, casos de polineurite alcoólica, caracterizada por dor, formigamento
e cãibras nos membros inferiores.
Durante a gravidez
O consumo de bebidas alcoólicas durante a gestação pode trazer conseqüências para o recém-nascido, e, quanto maior o consumo, maior o risco de prejudicar o feto. Dessa forma, é recomendável que toda gestante evite o consumo de bebidas alcoólicas, não só ao longo da gestação, como também durante todo o período de amamentação, pois o álcool pode passar para o bebê através do leite materno.
Cerca de um terço dos bebês de mães dependentes do álcool, que fizeram uso excessivo dessa droga durante a gravidez, é afetado pela “síndrome fetal pelo álcool”. Os recém-nascidos apresentam sinais de irritação, mamam e dormem pouco, além de apresentarem tremores (sintomas que lembram a síndrome de abstinência).
As crianças gravemente afetadas, e que conseguem sobreviver aos primeiros momentos de vida, podem apresentar problemas físicos e mentais que variam de intensidade de acordo com a gravidade do caso.
substância que pode ser inalada, isto é, introduzida no organismo através da aspiração . Um número enorme de produtos comerciais, como esmaltes, colas, tintas, pelo nariz ou pela boca. Em geral, todo solvente é uma substância altamente
Um produto muito conhecido no Brasil é o “cheirinho” ou “loló”, também conhecido
Esse nome designa inicialmente aquele líquido que vem em tubos e que se usa no
Mas cada vez mais o nome lança-perfume é também utilizado para designar o “cheirinho
SOLVENTES OU INALANTES
Cola de sapateiro
Esmalte,
Lança-perfume e Acetona
Definição
volátil, ou seja, evapora-se muito facilmente, por esse motivo pode ser facilmente
inalado. Outra característica dos solventes ou inalantes é que muitos deles (mas não
todos) são inflamáveis, quer dizer, pegam fogo facilmente.
Um número enorme de produtos comerciais, como esmaltes, colas, tintas,
A palavra solvente significa substância capaz de dissolver coisas, e inalante é toda.
Todos esses solventes ou inalantes são substâncias pertencentes a um grupo químico
chamado de hidrocarbonetos, como o tolueno, xilol, n-hexano, acetato de
etila, tricloroetileno etc. Para exemplificar, eis a composição de algumas colas de
sapateiro vendidas no Brasil: Cascola® – mistura de tolueno + n-hexano®; Patex
Extra® – mistura de tolueno com acetato de etila e aguarrás mineral; Brascoplast®
– tolueno com acetato de etila e solvente para borracha. Em 1991, uma fábrica de
cola do interior do Estado de São Paulo fez ampla campanha publicitária afirmando
que finalmente havia fabricado uma cola de sapateiro “que não era tóxica e não
produzia vício”, porque não continha tolueno. Essa indústria teve um comportamento
reprovável, além de criminoso, já que o produto anunciado ainda continha
o solvente n-hexano, sabidamente bastante tóxico.
Um produto muito conhecido no Brasil é o “cheirinho” ou “loló”, também conhecido
como “cheirinho da loló”. Trata-se de um preparado clandestino (isto é, fabricado
não por um estabelecimento legal, mas, sim, por pessoas do submundo), à base de
clorofórmio mais éter, utilizado somente para fins de abuso. Mas já se sabe que, quando
esses “fabricantes” não encontram uma daquelas duas substâncias, eles misturam
qualquer outra coisa em substituição. Assim, em relação ao “cheirinho da loló” não se
conhece bem sua composição, o que complica quando se tem casos de intoxicação
aguda por essa mistura. Ainda, é importante chamar a atenção para o lança-perfume.
Carnaval. À base de cloreto de etila ou cloretila, é proibida sua fabricação no Brasil e
só aparece nas ocasiões de Carnaval, contrabandeada de outros países sul-americanos.
Mas cada vez mais o nome lança-perfume é também utilizado para designar o “cheirinho
da loló” (os meninos de rua de várias capitais brasileiras já usam estes dois
nomes – cheirinho e lança – para designar a mistura de clorofórmio e éter).
Efeitos no cérebro
O início dos efeitos, após a aspiração, é bastante rápido – de
segundos a minutos
no máximo – e em 15 a 40 minutos já desaparecem; assim, o usuário
repete as aspirações várias vezes para que as sensações durem mais tempo.
Os efeitos dos solventes vão desde uma estimulação inicial até
depressão,
podendo também surgir processos alucinatórios. Vários autores
dizem que os efeitos
dos solventes (quaisquer que sejam) lembram os do álcool,
entretanto este não
produz alucinações, fato bem descrito para os solventes. Entre os
efeitos, o predominante é a depressão, principalmente a do funcionamento cerebral. De
acordo
com o aparecimento desses efeitos, após inalação de solventes,
foram divididos em
quatro fases:
_
Primeira fase: a chamada fase de excitação,
que é a desejada, pois a pessoa
fica eufórica, aparentemente excitada, sentindo tonturas e tendo
perturbações
auditivas e visuais. Mas podem também aparecer náuseas, espirros,
tosse, muita
salivação e as faces podem ficar avermelhadas.
_
Segunda fase: a depressão do cérebro começa a
predominar, ficando a pessoa
confusa, desorientada, com a voz meio pastosa, visão embaçada,
perda do autocontrole,
dor de cabeça, palidez; ela começa a ver ou a ouvir coisas.
_
Terceira fase: a depressão aprofunda-se com
redução acentuada do estado de
alerta, incoordenação ocular (a pessoa não consegue mais fixar os
olhos nos
objetos), incoordenação motora com marcha vacilante, fala “engrolada”,
reflexos
deprimidos, podendo ocorrer processos alucinatórios evidentes.
_
Quarta fase: depressão tardia, que pode chegar à
inconsciência, queda da pressão,
sonhos estranhos, podendo ainda a pessoa apresentar surtos de
convulsões
(“ataques”). Essa fase ocorre com freqüência entre aqueles
cheiradores que usam
saco plástico e, após um certo tempo, já não conseguem afastá-lo
do nariz e, assim,
a intoxicação torna-se muito perigosa, podendo mesmo levar ao coma
e à morte.
Finalmente, sabe-se que a aspiração repetida, crônica, dos
solventes pode levar
à destruição de neurônios (células cerebrais), causando lesões
irreversíveis no cérebro.
Além disso, pessoas que usam solventes cronicamente apresentam-se
apáticas,
têm dificuldade de concentração e déficit de memória.
Efeitos sobre outras partes do corpo
Os solventes praticamente não agridem outros órgãos, a não ser o
cérebro.
Entretanto, existe um fenômeno produzido pelos solventes que pode
ser muito
perigoso. Estes tornam o coração humano mais sensível a uma
substância que o
nosso corpo fabrica, a adrenalina, que faz o número de batimentos
cardíacos
aumentar. Essa adrenalina é liberada toda vez que temos de exercer
um esforço
extra, como, por exemplo, correr, praticar certos esportes etc.
Assim, se uma pessoa
inala um solvente e logo depois faz esforço físico, seu coração
pode sofrer, pois
ele está muito sensível à adrenalina liberada por causa do
esforço. A literatura médica
já cita vários casos de morte por arritmia cardíaca (batidas
irregulares do coração),
principalmente de adolescentes.
Efeitos tóxicos
Os solventes quando inalados cronicamente podem levar a lesões da
medula óssea,
dos rins, do fígado e dos nervos periféricos que controlam os
músculos. Por exemplo, verificou-se, em outros países, que em fábricas de sapatos ou
oficinas de pintura os operários, com o tempo, acabavam por apresentar doenças renais
e hepáticas.
Em decorrência disso, nesses países passou a vigorar uma rigorosa
legislação
sobre as condições de ventilação dessas fábricas, e o Brasil
também tem leis a respeito.
Em alguns casos, principalmente quando existe no solvente uma
impureza,
o benzeno, mesmo em pequenas quantidades, pode levar à diminuição
de produção
de glóbulos brancos e vermelhos pelo organismo.
Um dos solventes bastante usados nas nossas colas é o n-hexano.
Essa substância
é muito tóxica para os nervos periféricos, produzindo degeneração
progressiva,
a ponto de causar transtornos no marchar (as pessoas acabam
andando com dificuldade, o chamado “andar de pato”), podendo até chegar à paralisia. Há
casos de usuários crônicos que, após alguns anos, só podiam se locomover em cadeira
de rodas.
Aspectos gerais
A dependência entre aqueles que abusam cronicamente de solventes é
comum,
sendo os componentes psíquicos da dependência os mais evidentes,
tais como desejo de usar a substância, perda de outros interesses que não seja o
solvente. A síndrome de abstinência, embora de pouca intensidade, está presente na
interrupção
abrupta do uso dessas drogas, sendo comum ansiedade, agitação,
tremores, cãibras
nas pernas e insônia.
Pode surgir tolerância à substância, embora não tão dramática em
relação a
outras drogas (como as anfetaminas, que os dependentes passam a
tomar doses 50-
70 vezes maiores que as iniciais). Dependendo da pessoa e do
solvente, a tolerância
instala-se ao fim de um a dois meses.
TRANQÜILIZANTES OU ANSIOLÍTICOS
Definição
Existem medicamentos que têm a propriedade de atuar
quase exclusivamente sobre a ansiedade e a tensão. Essas drogas já foram chamadas de tranqüilizantes, por tranqüilizar a pessoa estressada, tensa e ansiosa. Atualmente,
prefere-se designar esses tipos de medicamentos pelo nome de ansiolíticos, ou seja, que “destroem” a ansiedade. De fato, esse é o principal efeito terapêutico desses
medicamentos: diminuir ou abolir a ansiedade das pessoas, sem afetar em demasia as
funções psíquicas e motoras.
Antigamente, o principal agente ansiolítico era uma
droga chamada meprobamato, que praticamente desapareceu das farmácias com a descoberta de um
importante grupo de substâncias: os benzodiazepínicos. De fato, esses medicamentos estão entre os mais utilizados no mundo todo, inclusive no Brasil.
Para se ter idéia, atualmente existem mais de cem remédios em nosso país à base
desses benzodiazepínicos.
Estes têm nomes químicos que terminam geralmente
pelo sufixo pam.
Assim, é relativamente fácil a pessoa, quando toma
um remédio para acalmar-se, saber o que realmente está tomando: tendo na fórmula uma palavra
terminada em
pam, é um benzodiazepínico. Exemplos: diazepam, bromazepam, clobazam, clorazepam, estazolam, flurazepam, flunitrazepam, lorazepam,
nitrazepam etc.
Uma das exceções é a substância chamada clordizepóxido, que também é um benzodiazepínico.
Por outro lado, essas substâncias são
comercializadas pelos laboratórios
farmacêuticos com diferentes nomes “fantasia”, existindo assim
dezenas de
remédios com nomes diferentes: Noan®, Valium®,
Calmociteno®, Dienpax®,
Psicosedin®, Frontal®, Frisium®, Kiatrium®, Lexotan®, Lorax®, Urbanil®, Somalium®
etc., são apenas alguns dos nomes.
Efeitos no cérebro
Todos os benzodiazepínicos são capazes de estimular
os mecanismos do cérebro que normalmente combatem estados de tensão e ansiedade. Assim,
quando, devido às tensões do dia-a-dia ou por causas mais sérias, determinadas
áreas do cérebro funcionam exageradamente, resultando em estado de ansiedade, os
benzodiazepínicos exercem um efeito contrário, isto é, inibem os mecanismos que
estavam hiper funcionantes , e a pessoa fica mais tranqüila, como que desligada
do meio ambiente e dos estímulos externos.
Como conseqüência dessa ação, os ansiolíticos
produzem uma depressão da atividade do nosso cérebro que se caracteriza por: 1. diminuição de
ansiedade;
2. indução de sono; 3. relaxamento muscular; 4. redução do estado
de alerta.
É importante notar que esses efeitos dos
ansiolíticos benzodiazepínicos são
grandemente alimentados pelo álcool, e a mistura do álcool com
essas drogas pode
levar ao estado de coma. Além desses efeitos principais, os
ansiolíticos dificultam os
processos de aprendizagem e memória, o que é, evidentemente,
bastante prejudicial
para aqueles que habitualmente se utilizam dessas drogas.
Finalmente, é importante ainda lembrar que essas
substâncias também prejudicam em parte as funções psicomotoras, prejudicando atividades como
dirigir automóveis, aumentando a probabilidade de acidentes.
Efeitos sobre outras partes do corpo
Os benzodiazepínicos são drogas muito específicas em
seu modo de agir, pois têm predileção quase exclusiva pelo cérebro. Dessa maneira, nas doses
terapêuticas não produzem efeitos dignos de nota sobre os outros órgãos.
Efeitos tóxicos
Do ponto de vista orgânico ou físico, os
benzodiazepínicos são drogas bastante seguras, pois são necessárias grandes doses (20 a 40 vezes mais
altas que as habituais) para trazer efeitos mais graves: a pessoa fica com hipotonia
muscular
(“mole”), grande dificuldade para ficar em pé e andar, baixa
pressão sangüínea e
suscetilidade a desmaios. Mas, mesmo assim, a pessoa dificilmente
chega a entrar
em coma e morrer. Entretanto, a situação muda muito de figura se o
indivíduo,
além de ter tomado o benzodiazepínico, também ingeriu bebida
alcoólica. Nesses
casos, a intoxicação torna-se séria, pois há grande diminuição da
atividade cerebral,
podendo levar ao estado de coma.
Outro aspecto importante quanto aos efeitos tóxicos
refere-se ao uso dessas
substâncias por mulheres grávidas. Suspeita-se que essas drogas
tenham um poder
teratogênico razoável, isto é, podem produzir lesões ou defeitos
físicos na criança
por nascer.
Aspectos gerais
Os benzodiazepínicos, quando usados durante alguns
meses seguidos, podem levar as pessoas a um estado de dependência. Como conseqüência, sem a
droga o dependente passa a sentir muita irritabilidade, insônia excessiva, sudoração,
dor pelo corpo todo, podendo, em casos extremos, apresentar convulsões. Se
a dose tomada já é grande desde o início, a dependência ocorre mais rapidamente
ainda. Há também desenvolvimento de tolerância, embora esta não seja muito
acentuada, isto é, a pessoa
acostumada à droga não precisa aumentar a dose para obter o efeito inicial.
Situação no Brasil
Como já foi relatado, existem muitas dezenas de
remédios no Brasil à base de ansiolíticos benzodiazepínicos. Até recentemente, era comum os médicos,
chamados de obesologistas (que tratam das pessoas obesas em busca de
tratamento para emagrecer), colocarem nas receitas esses benzodiazepínicos para atenuar o
nervosismo produzido pelas drogas que tiram o apetite (ver Capítulo “Anfetaminas”).
Atualmente, a legislação não permite essa mistura.
Além disso, há um verdadeiro abuso por parte dos
laboratórios nas indicações
desses medicamentos para todos os tipos de ansiedades, mesmo
aquelas consideradas normais, isto é, causadas pelas tensões da vida cotidiana. Assim,
certas propagandas mostram uma mulher com um largo sorriso, feliz, pois tomou certo
remédio que corrigiu a ansiedade gerada pelos três bilhetes recebidos: um
do marido, avisando que chegará tarde para o jantar; outro do filho, dizendo
que chegará com o time de basquete para um lanche; e o terceiro da empregada,
avisando que faltou ao trabalho porque foi ao SUS. Ainda existem exemplos de indicação
dos benzodiazepínicos para as moças sorrirem mais (pois a tensão evita o riso), ou para
evitar as rugas, que envelhecem (uma vez que a ansiedade faz as pessoas
franzirem a testa, criando rugas). Não é, portanto, surpreendente que, em um
levantamento sobre o uso não-médico de drogas psicotrópicas por estudantes em dez
capitais brasileiras, em 1997, os ansiolíticos estivessem em terceiro lugar na
preferência geral, sendo esse uso muito mais intenso entre meninas do que entre meninos.
Os benzodiazepínicos são controlados pelo Ministério
da Saúde, isto é, a farmácia pode vendê-los somente mediante receita especial do médico, que
deve ser retida para posterior controle, o que nem sempre acontece.
CALMANTES E SEDATIVOS
CALMANTES E SEDATIVOS
Barbitúricos
Definição e histórico
Sedativo é o nome que se
dá aos medicamentos capazes de diminuir a atividade do
cérebro, principalmente
quando este está em estado de excitação acima do normal.
O termo sedativo é
sinônimo de calmante ou sedante.
Quando um sedativo é capaz
de diminuir a dor, recebe o nome de analgésico. Já
quando o sedativo é capaz
de afastar a insônia, produzindo o sono, é chamado de
hipnótico
ou sonífero. E quando um calmante tem o poder de atuar mais
sobre
estados exagerados de
ansiedade, é denominado de ansiolítico. Finalmente, existem
algumas dessas drogas
capazes de acalmar o cérebro hiperexcitado dos epilépticos.
São as drogas antiepilépticas,
capazes de prevenir as convulsões desses doentes.
Neste capítulo será
abordado um grupo de drogas – tipo sedativos-hipnóticos – que
são chamadas de barbitúricos.
Algumas delas também são úteis como antiepilépticos.
Essas drogas foram
descobertas no começo do século XX, e diz a história que o
químico europeu que fez a
síntese de uma delas pela primeira vez – grande descoberta
– foi comemorar em um bar.
E, lá, encantou-se com uma garçonete, linda
moça que se chamava
Bárbara. Em um acesso de entusiasmo, nosso cientista resolveu
dar ao composto
recém-descoberto o nome de barbitúrico.
Efeitos no cérebro
Os barbitúricos são
capazes de deprimir várias áreas do cérebro; como conseqüência, as pessoas podem ficar
mais sonolentas, sentindo-se menos tensas, com sensação de calma e relaxamento. As
capacidades de raciocínio e de concentração ficam também afetadas.
Com doses um pouco maiores
que as recomendadas pelos médicos, a pessoa
começa a sentir-se como
que embriagada (sensação mais ou menos semelhante à de
tomar bebidas alcoólicas
em excesso): a fala fica “pastosa” e a pessoa pode sentir-se
com dificuldade de andar
direito.
Os efeitos anteriormente
descritos deixam claro que quem usa esses barbitúricos
tem a atenção e as
faculdades psicomotoras prejudicadas; assim, fica perigoso
operar máquina, dirigir automóvel etc.
Efeitos sobre outras partes do corpo
Os barbitúricos são quase exclusivamente de ação central (cerebral),
isto é, não agem nos demais órgãos. Assim, a respiração, o coração e a pressão
do sangue só são afetados quando o barbitúrico, em dose excessiva, age nas
áreas do cérebro que comandam as funções desses órgãos.
Efeitos tóxicos
Essas drogas são perigosas porque a dose que começa a intoxicar está
próxima da que produz os efeitos terapêuticos desejáveis. Com essas doses
tóxicas, começam a surgir sinais de incoordenação motora, um estado de
inconsciência começa a tomar conta da pessoa, ela passa a ter dificuldade para
se movimentar, o sono fica muito pesado e, por fim, pode entrar em estado de
coma. A pessoa não responde a nada, a pressão do sangue fica muito baixa e a
respiração é tão lenta que pode parar. A morte ocorre exatamente por parada
respiratória. É muito importante saber que esses efeitos tóxicos ficam muito
mais intensos se ela ingerir álcool ou outras drogas sedativas. Às vezes,
intoxicação séria pode ocorrer por esse motivo.
Outro aspecto importante quanto aos efeitos tóxicos refere-se ao uso
dessas substâncias por mulheres grávidas. Essas drogas têm potencial
teratogênico, além de provocarem sinais de abstinência (como dificuldades
respiratórias, irritabilidade, distúrbios do sono e dificuldade de alimentação)
em recém-nascidos de mães que fizeram uso durante a gravidez.
Aspectos gerais
Existem muitas evidências de que os barbitúricos levam as pessoas a um
estado de dependência; com o tempo, a dose tem também de ser aumentada, ou
seja, há desenvolvimento de tolerância. Esses fenômenos se desenvolvem com
maior rapidez quando doses grandes são usadas desde o início. Quando a pessoa
está dependente dos barbitúricos e deixa de tomá-los, passa a ter a síndrome de
abstinência, cujos sintomas vão desde insônia rebelde, irritação,
agressividade, delírios, ansiedade, angústia, até convulsões generalizadas. A
síndrome de abstinência requer obrigatoriamente tratamento médico e
hospitalização, pois há risco de a pessoa vir a falecer.
Situação no Brasil
Os barbitúricos eram usados de maneira até irresponsável no Brasil.
Vários remédios para dor de cabeça, além da aspirina, continham também um
barbitúrico qualquer.
Assim,
os antigos como Cibalena®, Veramon®, Optalidom®, Fiorinal® etc. tinham o
butabarbital ou secobarbital (dois tipos de barbitúricos) em suas fórmulas. O
uso abusivo que se registrou – muita gente usando grandes quantidades,
repetidamente – de medicamentos, como o Optalidon® e o Fiorinal®, levou os
laboratórios farmacêuticos a modificarem suas fórmulas, retirando os
barbitúricos de sua composição.
Hoje em dia existem apenas alguns produtos,
usados como sedativos-hipnóticos, que ainda apresentam o barbitúrico butabarbital.
Por outro lado, o fenobarbital é bastante usado no Brasil (e no mundo),
pois é um ótimo remédio para os epilépticos. Finalmente, um outro barbitúrico,
o tiopental, é usado por via endovenosa, por anestesistas, em cirurgias.
A legislação brasileira exige que
todos os medicamentos que contenham barbitúricos em suas fórmulas sejam
vendidos nas farmácias somente com a receita do médico, para posterior controle
pelas autoridades sanitárias.
ÓPIO E MORFINA
Papoula do Oriente
Opiáceos
Opióides
Definição e histórico
Muitas substâncias com grande atividade farmacológica podem ser
extraídas de uma
planta chamada Papaver somniferum, conhecida popularmente com o nome de
“Papoula do Oriente”. Ao se fazer cortes na cápsula da papoula, quando
ainda
verde, obtém-se um suco leitoso, o ópio (a palavra ópio em grego quer dizer “suco”).
Quando seco, esse suco passa a se chamar pó de ópio. Nele existem várias substâncias com grande atividade. A mais conhecida é a morfina, palavra que vem do
deus da mitologia grega Morfeu, o deus dos sonhos.
Pelo próprio segundo nome da planta somniferum, de sono, e do nome morfina, de sonho, já dá para fazer uma idéia da ação do ópio e da morfina
no homem: são depressores do sistema nervoso central, isto é, fazem o cérebro funcionar mais
devagar. Mas o ópio ainda contém mais substâncias, sendo a codeína também bastante conhecida. Ainda é possível obter-se outra substância, a heroína, ao se fazer
pequena modificação química na fórmula da morfina. A heroína é,
então, uma substância semi-sintética (ou seminatural).
Todas essas substâncias são chamadas de drogas opiáceas ou simplesmente opiáceos, ou seja, oriundas do ópio, que, por sua vez, podem ser opiáceos naturais quando não sofrem nenhuma modificação (morfina, codeína) ou opiáceos semi-sintéticos quando resultantes de modificações parciais das substâncias
naturais (como é o caso da heroína).
Mas o ser humano foi capaz de imitar a natureza fabricando em
laboratórios várias substâncias com ação semelhante à dos opiáceos: a meperidina, a oxicodona, o propoxifeno e a metadona são
alguns exemplos. Essas substâncias totalmente sintéticas são chamadas de opióides (isto
é, semelhantes aos opiáceos). Todas são
colocadas em comprimidos ou ampolas, tornando-se, então,
medicamentos. A tabela
a seguir apresenta exemplos de
alguns desses medicamentos.
Nome de alguns medicamentos vendidos no Brasil
contendo drogas tipo
ópio (naturais ou sintéticos) em suas formulações (segundo
Dicionário de
Especialidades Farmacêuticas – DEF 1990/91).Efeitos no cérebro
Todas as drogas tipo opiáceo ou opióide têm basicamente os mesmos
efeitos no sistema nervoso central: diminuem sua atividade. As diferenças ocorrem
mais em
sentido quantitativo, isto é, são mais ou menos eficientes em
produzir os mesmos
efeitos; tudo fica, então, sendo principalmente uma questão de
dose. Assim, temos
que todas essas drogas produzem analgesia e hipnose (aumentam o
sono), daí
receberam também o nome de narcóticos, que são exatamente as
drogas capazes
de produzir esses dois efeitos: sono e diminuição da dor. Recebem
também, por
isso, o nome de drogas hipnoanalgésicas. Agora, para algumas
drogas a dose necessária para esse efeito é pequena, ou seja, são bastante potentes, como,
por exemplo, a morfina e a heroína; outras, por sua vez, necessitam de doses 5
a 10 vezes maiores para produzir os mesmos efeitos, como a codeína e a meperidina.
Algumas drogas podem ter, ainda, ação mais específica, por
exemplo, de deprimir
os acessos de tosse. É por essa razão que a codeína é tão usada
como antitussígeno, ou seja, é muito boa para diminuir a tosse. Outras apresentam a
característica de levar a uma dependência mais facilmente; daí serem muito
perigosas, como é o caso da heroína.
Além de deprimir os centros da dor, da tosse e da vigília (o que
causa sono),
todas essas drogas em doses um pouco maior que a terapêutica
acabam também por
deprimir outras regiões do cérebro, como, por exemplo, as que
controlam a respiração, os batimentos do coração e a pressão do sangue. Como será visto,
isso é
muito importante quando se analisam os efeitos tóxicos que elas
produzem.
Em geral, as pessoas que usam essas substâncias sem indicação
médica, ou seja,
abusam delas, procuram efeitos característicos de uma depressão
geral do cérebro:
um estado de torpor, como isolamento da realidade do mundo,
calmaria na qual
realidade e fantasia se misturam, sonhar acordado, estado sem
sofrimento, afeto
meio embotado e sem paixões. Enfim, fugir das sensações que são a
essência mesmo do viver: sofrimento e prazer que se alternam e se constituem em
nossa vida psíquica plena.
Efeitos sobre outras partes do corpo
As pessoas sob ação dos narcóticos apresentam contração acentuada
da pupila dos
olhos (“menina dos olhos”), que às vezes chegam a ficar do tamanho
da cabeça de
um alfinete. Há também uma paralisia do estômago e o indivíduo
sente-se empachado, com o estômago cheio, como se não fosse capaz de fazer a digestão.
Os intestinos também ficam paralisados e, como conseqüência, a pessoa que abusa
dessas substâncias geralmente apresenta forte prisão de ventre. É com
base nesse efeito que os opiáceos são utilizados para combater as diarréias, ou seja,
são usados terapeuticamente como antidiarréicos.
Efeitos tóxicos
Os narcóticos usados por meio de injeções, ou em doses maiores por
via oral,
podem causar grande depressão respiratória e cardíaca. A pessoa
perde a consciência e fica com uma cor meio azulada porque a respiração muito fraca
quase não oxigena mais o sangue e a pressão arterial cai a ponto de o sangue não
mais circular normalmente: é o estado de coma que, se não tiver o atendimento
necessário, pode levar à morte. Literalmente, centenas ou mesmo milhares de pessoas
morrem todo ano na Europa e nos Estados Unidos intoxicadas por heroína ou
morfina. Além
disso, como muitas vezes esse uso é feito por injeção, com
freqüência os dependentes acabam também por adquirir infecções como hepatites e mesmo Aids.
Aqui no Brasil, uma dessas drogas foi utilizada com alguma freqüência por
injeção venosa: é o propoxifeno (principalmente o Algafan®).
Acontece que essa substância é muito irritante para as veias, que se inflamam e chegam a ficar
obstruídas. Houve muitos casos de pessoas com sérios problemas de circulação nos braços por
causa disso.
Houve mesmo descrição de amputação desse membro devido ao uso
crônico de
Algafan®. Felizmente, esse uso irracional do propoxifeno não ocorre mais
entre nós.
Outro problema com essas drogas é a facilidade com que levam à
dependência,
tornando-se o centro da vida das vítimas. E quando esses
dependentes, por qualquer
motivo, param de tomar a droga, ocorre um violento e doloroso
processo de
abstinência, com náuseas e vômitos, diarréia, cãibras musculares,
cólicas intestinais,
lacrimejamento, corrimento nasal etc., que pode durar até 8 a 12
dias.
Além disso, o organismo humano torna-se tolerante a todas essas
drogas narcóticas.
Ou seja, como o dependente não consegue mais se equilibrar sem
sentir seus
efeitos, ele precisa tomar doses cada vez maiores, enredando-se
mais e mais em dificuldades, pois para adquiri-las é preciso cada vez mais dinheiro.
Para se ter uma idéia de como os médicos temem os efeitos tóxicos
dessas drogas,
basta dizer que eles relutam muito em receitar a morfina (e outros
narcóticos)
para cancerosos, que geralmente têm dores extremamente fortes. E
assim milhares
de doentes de câncer padecem de um sofrimento muito cruel, pois a
única substância
capaz de aliviar a dor, a morfina ou outro narcótico, tem também
esses efeitos
indesejáveis. Atualmente, a própria Organização Mundial de Saúde
tem aconselhado
os médicos de todo o mundo que, nesses casos, o uso contínuo de
morfina é plenamente justificado.
Felizmente, são pouquíssimos os casos de dependência dessas drogas
no Brasil,
principalmente quando comparado com o problema em outros países.
Entretanto,
nada garante que essa situação
não poderá modificar-se no futuro.
XAROPES E GOTAS PARA TOSSE
Com Codeína
Definição
Os xaropes são formulações farmacêuticas que contêm grande
quantidade de açúcares, fazendo com que o líquido fique “viscoso”, “meio grosso” (“xaroposo”).
Nesse veículo ou líquido, coloca-se a substância medicamentosa que vai
trazer o efeito benéfico desejado pelo médico que a receitou. Assim, existem
xaropes para tosse em
que o medicamento ativo é a codeína.
Mas também existem outras maneiras de se preparar tais remédios.
Em vez de
colocá-los em um xarope, faz-se uma solução aquosa, às vezes com
um pouco de
álcool, tendo-se assim as chamadas gotas para tosse. A substância
ativa contida nas
gotas geralmente é a codeína.
A codeína está entre os remédios mais ativos para combater a
tosse, e por isso é
chamada de antitussígena ou béquica (nome bobo que a medicina
inventou para
complicar as coisas).
Existe um número muito grande de produtos comerciais à base de
codeína.
Assim, Belacodid®, Belpar®, Codelasa®, Gotas
Binelli®, Pambenyl®, Setux®, Tussaveto®
etc., são remédios contra tosse que contêm essa substância em suas
fórmulas.
A codeína, conforme explicado em outro capítulo deste livreto, é
uma substância
que vem do ópio; trata-se, dessa maneira, de um opiáceo natural.
Existem ainda muitos xaropes para tratar a tosse que contêm certas
plantas em sua
fórmula, como, por exemplo, o agrião, o guaco etc. Esses
medicamentos, chamados
de fitoterápicos, não têm os efeitos tóxicos da codeína nem causam
dependência.
Efeitos no cérebro
O cérebro humano possui uma certa área – a chamada centro da tosse
– que comanda
os acessos de tosse. Isto é, toda vez que ele é estimulado há
emissão de uma
“ordem” para que a pessoa tussa. A codeína é capaz de inibir ou
bloquear esse centro
da tosse; assim, mesmo que haja um estímulo para ativá-lo, o
centro, estando
bloqueado pela droga, não reage, ou seja, não dá mais a “ordem”
para a pessoa tossir,
e a tosse que vinha ocorrendo deixa de existir.
Mas a codeína age em outras regiões no cérebro. Assim, outros
centros que
comandam as funções dos órgãos são também inibidos; com a codeína,
a pessoa menos dor (ela é um bom analgésico), pode ficar sonolenta, e a pressão
sangüínea, o número de batimentos do coração e a respiração podem
ficar diminuídos.
Efeitos sobre outras partes do corpo
A codeína possui vários efeitos das drogas do tipo opiáceos.
Assim, é capaz de contrair
a pupila (“menina dos olhos”), provocar sensação de má digestão e
produzir
prisão de ventre.
Efeitos tóxicos
A codeína quando tomada em doses maiores que a terapêutica produz
acentuada
depressão das funções cerebrais. Como conseqüência, a pessoa fica
apática, a pressão
do sangue cai muito, o coração funciona com grande lentidão e a
respiração
torna-se muito fraca. Como conseqüência, a pele fica fria (a
temperatura do corpo
diminui) e meio azulada (“cianose”) por causa da respiração
insuficiente. A pessoa
pode ficar em estado de coma, inconsciente, e se não for tratada
pode morrer. Por
exemplo, em um pronto-socorro na cidade de São Paulo, em um
período de 10
meses, 17 crianças de 20 dias até 2 anos de idade foram tratadas
por intoxicação
por causa de xaropes ou gotas para tosse tomadas em excesso
(Setux, Belpar,
Belacodid, Espasmoplus). Todas essas crianças apresentavam
dificuldade respiratória,
pele fria e meio azulada, pupilas contraídas, mal conseguiam
chorar e não
tinham forças para mamar.
Aspectos gerais
A codeína leva rapidamente o organismo a um estado de tolerância.
Isso significa
que a pessoa que vem tomando xarope à base de codeína, por “vício”,
acaba por
aumentar cada vez mais a dose diária. Assim, não é incomum
saber-se de casos de
pessoas que tomam vários vidros de xaropes ou de gotas para
continuar sentindo
os mesmos efeitos. E se elas deixam de tomar a droga, estando já
dependentes,
surgem os sintomas da chamada síndrome de abstinência. Calafrios,
cãibras, cólicas,
coriza, lacrimejamento, inquietação, irritabilidade e insônia são
os sintomas
mais comuns de abstinência.
Situação no Brasil
Os xaropes e as gotas à base de codeína podem ser vendidos nas
farmácias brasileiras
somente com a apresentação da receita do médico, que fica retida
para posterior
controle. Infelizmente, isso nem sempre acontece, pois algumas
farmácias desonestas
que, para ganhar mais dinheiro, vendem essas substâncias por “baixo
do pano”.
Contudo, os proprietários desses estabelecimentos podem ser
punidos caso sejam
descobertos.